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As flores aqui brotam da esperança, dos desesperos, das alegrias, das angústias, da paz e da inquietação. Brotam porque o jardineiro precisa torná-las visíveis... Brotam porque sua existência é fato consumado na alma... Brotam para servir de alento e inquietação, diante da realidade humana de comodismo e imitação.
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domingo, 18 de junho de 2017

Briga de torcida

Eram dois em um imenso estádio de futebol. Poderiam ser amantes ou amigos, mas decidiram ser rivais. Cada um com seu time, cada um torcendo pela vitória dos seus e/ou daqueles que não os conhecem. E, na arena de lutas, o espaço de ganha-pão, vende-se a ideia e o discurso da identidade (ilusória) nacional. Ilusão dos espectadores, público de um pan-óptico camuflado... Amontoam-se rios de dinheiros, esverdeiam-se as gramas, espalham-se enfeites no chão, largueiam-se os risos das cabeças pensantes, mentores dos pan-ópticos. Ao lado, a criança sofre o frio da noite.

E, no imenso estádio, os ornamentos rasteiros se multiplicam. São papeis, latas e plásticos e, quiçá, vidros. Festa de que o sortudo agente de limpeza será protagonista... Faz parte da cultura, afinal. É prática de lazer e lazer faz bem à saúde. Ao lado, a criança chora por um pedaço de pão. 

O que se quer já é sabido. O que os dois ganharão não é novidade. Gritam-se os 'gols', disparam-se os corações, perdem a voz e esvaziam-se os bolsos, escorrem-se lágrimas e, ao lado, a criança (que não é vista e que não emociona) olha sem entender o pó que enlouquece os pais. 

Eram dois e dos gritos de alegria surgem os espavoridos ecos do medo. O sangue jorra, os pés ultrapassam barreiras e eles nem podem se ver. Os brilhos dos olhos tornam-se máscaras de terror e nem é carnaval, outra identidade nacional. Ao lado, a criança suplica por um prato de feijão (identidade nacional que lhe é negada)...

Eram dois, mas um foi vítima, saiu retorcido do imenso estádio e nem chegou a conhecer a criança que permanece com fome. Teve baixa, assim como o artilheiro daquele time pelo qual brigou. Mudou de time para poder ganhar mais no time do outro que ficou, o qual talvez se encontre, algum dia, com a criança pedindo esmola na esquina para poder não mais sentir fome. E, no país do futebol, esta briga, protagonizada por essa criança, multiplica-se, mesmo sem ecos de torcida e sem os holofotes das mídias.
Fonte: google imagem

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